RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA: importância destes referenciais na socialização dos alunos na etapa da educação infantil na Escola Moranguinho

Por: Ana Júlia Tupinambá Sena

As funções básicas da família estão de tal modo identificadas com a educação que não se pode tratar de uma, sem referir-se a outra. É pacífico que a ação socialização da família exerce um papel destacado na formação da personalidade das crianças na infância.
Diferente como acontece com os animais, que quando nascem já trazem no embrião todas as reações que os possibilitam a sobrevivência no meio natural, o recém-nascido humano se caracteriza por uma extrema fragilidade e pela incapacidade de reação a um ambiente hostil ou indiferente.
Ao nascer, o homem se distingue por sua extrema fragilidade e pela sua absoluta dependência em relação ao grupo que o cerca, como também pelo tempo prolongado de sua infância, a mais longa já observada entre qualquer animal conhecida. Por isso, Toscano (2002, p.40), afirma que: “Ao nascer, a criança traz apenas potencialidades que poderão ou não ser desenvolvidas e atualizadas, ao longo de todo processo vital”.
A socialização pode ser definida como o processo sociopsicológico que objetiva a formação da personalidade individual, através da interação social com outros indivíduos e grupos. Quando esta socialização adquire caráter e se faz através de processos formais, socialmente sancionados, direcionados a educação.
A família na educação infantil deve proporcionar aos seus filhos para o maior desenvolvimento de seus filhos, meios como: adequação de estímulos oferecidos, condições para o desenvolvimento físico e tendo coerência de seu relacionamento com seu filho.
As crianças aprendem muito através da imitação e os pais constituem os modelos prevalecentes nesta idade, onde são os mais valorizados normalmente pela criança. Esta valorização dos pais como modelo decorre do fato deles serem a principal fonte de reforçadores de todos os tipos, fornecidos á criança. Além disso, como é agradável o contato com crianças pequenas, eles também são reforçados pelo comportamento dos filhos quer quando lhes retribuam carinho e ou quando os imitam. É muito reforçador para os pais encontrar em gestos, palavras e outros comportamentos dos filhos. Entretanto, se esquecem que os filhos também imitam os pais em aspectos negativos. Assim, afirma Witter (1996, p.36):

Considerando a força de seu papel como modelo, os pais devem procurar estar sempre cientes disto e exercer um autocontrole para evitar apresentar-se como modelos de comportamento que não querem ver reproduzidos em seus filhos. Também devem estar atentos para esforçar positivamente as respostas imitadas adequadas apresentadas pelos filhos. Todavia, é preciso cuidar para não chegar ao exagero de querer que o filho seja uma cópia.

É no período da educação infantil que muitos dos comportamentos socialmente considerados típicos destes ou daqueles sexos começam a se estabelecer graças á aprendizagem social em geral.
Em uma sociedade em que poço tempo sobra para a interação pai-filho é preciso planejar para um aproveitamento máximo dos momentos disponíveis, fornecendo sempre um modelo adequado e coerente com os objetivos educacionais que se pretende alcançar.
Os pais na educação infantil devem propiciar condições para o desenvolvimento do repertório básico que deve ser estabelecido nesta fase da vida de modo a propiciar posteriormente facilidades de aquisição dos comportamentos a serem focalizados no âmbito escolar.
Desde os primórdios, a família apresenta-se como a primeira célula social responsável por apresentar o mundo à criança, por ser o primeiro centro de convivência conjunta, sendo sua principal incumbência a tarefa de formar, de apresentar, enfim, de educar. Assim Guzzo (1990, p.134) acredita que “educar significa promover, assegurar o desenvolvimento de capacidades, tanto físicas quanto intelectuais e morais. E, de uma maneira geral, vem sendo assegurada, como de responsabilidade dos pais.”
A família, de acordo com Guzzo (1990, p. 134) e Romagnoli (1999, p. 13), apresenta “um papel importante no desenvolvimento do filho, pois é o primeiro grupo social do ser humano, responsável por suas primeiras interações no mundo”.
No entanto, Guzzo (1990, p. 135) afirma que

a família tem delegado cada vez mais às escolas, a tarefa de formar, esperam respostas aos seus problemas e buscam soluções junto aos elementos da escola. Estas complexas mudanças nos quadros sociais, político, econômico e cultural influenciam diretamente a dinâmica da vida familiar, já que o modelo de família nuclear vem sendo substituído por uma drástica diminuição no número de integrantes da família, sendo esta, hoje em dia, ora como unipessoal, ora chefiada por mulheres, necessitando de inúmeros arranjos para a criação de seus filhos.

Neste quadro pinta-se a entrada, cada vez maior, da mulher no mercado de trabalho, que geralmente são muito distantes de suas casas. De acordo com, Rizzini (2002, p.46-47):

Levando as crianças a permanecerem mais tempo na escola, sem a presença dos pais”. Outro ponto a destacar é que além de a família urbana ser menor e caracterizada pela alta mobilidade, “ela nem sempre tem com quem contar para mediar seus conflitos e para compartilhar a criação dos filhos.

Este contexto tem influenciado diretamente na estrutura e organização da família e da comunidade. Com isso, a família tem delegado sua responsabilidade de formar e educar às escolas; seja por insegurança, por falta de disponibilidade ou interesse, os pais estão furtando-se de contatos mais planejados com seus filhos, ausentando-se do “diálogo, da disponibilidade e da solidariedade, os quais garantiam vínculos mais eficazes para a formação do desenvolvimento intelectual e para a resolução de conflitos”; assumindo uma posição passiva perante a educação dos filhos (GUZZO, 1990, p. 135).
Conta-se ainda com a família para a excelência no desenvolvimento físico, mental, social, moral e espiritual de sua prole. Desse modo, apontam-se algumas alternativas para o apoio à família, seus papéis, fortalecendo elos familiares e as possíveis redes sociais de apoio que possam contribuir para a formação, criação e educação de seus filhos.
A Escola para pais aparece como instrumento imprescindível para efetivo desenvolvimento dos filhos, pois os pais tendo orientações sobre o desenvolvimento do mesmo, conseguem compreender suas necessidades e dificuldades em cada etapa, facilitando, assim, a formação de uma identidade saudável e completa, tendo em vista que a família tem por finalidade assegurar o desenvolvimento das diversas habilidades
Portanto, a família e a escola devem apresentar objetivos comuns e integrados, capazes de desenvolverem a aliança educacional. Desta forma, estará contribuindo na possível formação de uma identidade saudável do educando, visto que a incumbência primária da escola é desenvolver a competência intelectual, formando o educando para a profissionalização e ao exercício da cidadania; enquanto a família tem por finalidade assegurar o desenvolvimento das diversas habilidades humanas. Segundo Guzzo (1990, p.135) o “envolvimento de pais em programas educacionais de suas crianças vem sendo considerado como uma variável relevante e facilitadora do desenvolvimento infantil”.
O desenvolvimento, por sua vez, ocasiona mudanças físicas, neurológicas, cognitivas, afetivas e comportamentais que ocorrem de maneira ordenada e são relativamente duradouras, por conseguinte, os fatores ambientais em consonância aos fatores biológicos influenciam diretamente no comportamento infantil. Portanto, o ambiente: seja familiar ou escolar, interfere ativamente na qualidade do processo de aprendizagem do educando.
Durante muito tempo a educação dos filhos era responsabilidade somente da escola, o que a escola decidia era aceito pelos pais, havendo assim uma harmonia entre ambas. Só que com o passar dos tempos tem se observado que muita coisa mudou, já não existe a mesma relação de entendimento.
Hoje os pais estão mais questionadores, desconfiados, exigindo cada vez mais das instituições; parecendo não satisfeitos, estão sempre em busca da escola certa para seus filhos; com dúvidas, de qual escola colocá–los, se estas terão um padrão de educação desejada. Tudo isso faz com que a inquietação venha preocupá–los diante de tanta modernidade.
São vários os motivos que levam os pais irem em busca de escolas de qualidade; A mídia tem buscado mostrar a realidade vivida no cotidiano das escolas sobre a qualidade de ensino no Brasil. Todas estas mudanças têm se dado devido aos conhecimentos adquiridos pelos pais, tornando-os mais exigentes e menos alienados.
Por isso, há pais que, por terem sofrido constrangimento nos tempos de escola, procuram para sua prole um ensino significativo do tipo motivador, que prepara para concorrerem em cursos seletivos que lhes dêem capacidade de ingressaram em universidades: Há pais que desejam que os mesmos estejam aptos a lidarem com as novas tecnologias surgidas nos tempos contemporâneos, que possam exercer uma profissão com competência e profissionalismo, que venha ajudá–los a estar inseridos no mercado de trabalho. Por isso, Zagury (2002), afirma que “em suma, cada cabeça uma sentença. O que cada um considera escola de qualidade está diretamente relacionado aos objetivos educacionais”.
Há uma enorme variação de visão de qualidade de ensino para os pais, mas todos com um objetivo, um ensino de qualidade para enfrentar os problemas do mundo moderno e exercer com autonomia sua função dentro da sociedade.
Para a escola o ensino de qualidade acontece quando o aluno no final de cada etapa de estudo consegue alcançar certos domínios na aprendizagem como: ler e escrever corretamente, fazer cálculos, ter conhecimentos básicos das disciplinas ministradas e saber discutir temas da atualidade com consciência.
A escola de qualidade exige um docente mediador, questionador, que respeita as opiniões, que incentiva os alunos a pesquisar, fazendo entender seus direitos e deveres e ajuda – os em momentos difíceis. Esta escola deve preparar o indivíduo além da formação intelectual, como também formação ética e social, que valoriza as diversidades sem distinção.
Como podemos observar, para que a relação família e escola permaneça é necessário um trabalho conjunto, que forneça a estas instituições momentos prazerosos de convivência, tornando assim a aprendizagem dos alunos mais eficaz.
Como já foram mencionadas, muitas são as qualidades de ensino. Às vezes os pais chegam a ficar confusos com as exigências feitas a eles. Por isso é que foi feito uma pesquisa nas escolas, da rede privada e pública, com aplicação de questionários, para avaliar se a parceria entre professores X pais irá contribuir para a oferta do ensino de qualidade.

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