Planejamento Escolar: muito mais que um mero instrumento burocrático



“O planejamento é um processo ininterrupto, processual, organizador da conquista prazerosa dos nossos desejos onde o esforço, a perseverança, a disciplina são armas de luta cotidiana para a mudança pedagógica.” (Madalena Freire)

 
No nosso dia-a-dia vivemos planejando nossas ações: uma viagem, uma festa, um encontro com os amigos, o orçamento doméstico. Todo planejamento nasce de um desejo, de uma intenção, de uma possibilidade ou necessidade. Toda ação pedagógica nasce de um desejo de criar, interagir, trocar, inovar, acrescentar. O planejamento de ensino constitui-se, então, na previsão, organização e avaliação de situações que propiciem condições para que os alunos construam conhecimentos sobre conteúdos e valores a serem explorados num determinado período.
Mas como constituir um planejamento que conjugue os interesses e objetivos do professor e do aluno? Como não fazer do planejamento um instrumento burocrático, uma “camisa de força” ou uma lista de atividades para serem cumpridas, inibindo o surgimento e a exploração de fatos e situações inesperadas?
A finalidade de um planejamento é permitir que se pense previamente no que se quer e no que se pode fazer, em função da criança com que se trabalha e da sociedade em que se vive e se quer viver.
Como um instrumento que leva a uma tomada de decisão, concretizando-se através de ações reais, um planejamento que fique apenas no papel, nada significa. Ele precisa falar de vida, de uma história que está sendo construída, onde a criança é o centro. Para tal, é de fundamental importância conhecer a realidade social e cultural dos alunos, os conhecimentos já adquiridos, os valores e o saber do meio em que vivem e ter como questões centrais:
# O que os meus alunos já sabem? (nível de desenvolvimento real)
# O que ainda não conhecem?
# Devo ensinar o quê? Como? Quando e onde ensinar?

No início do ano letivo, quando ainda não conhecemos os nossos alunos, podemos obter essas informações no arquivo da escola, em conversas com colegas, com os próprios alunos e em entrevistas com os pais.
Depois deste conhecimento sobre as características, condições e problemas da realidade em que irá atuar, analisando, também, os objetivos da série, os conteúdos/conceitos a serem trabalhados, o professor organizará os objetivos que pretende atingir com os alunos. Estes são gerais ou específicos.
Os objetivos gerais são as grandes metas a perseguir, que se concretizam por meio de objetivos mais específicos. A seleção de conteúdos, conceitos, procedimentos e valores deverão ser realizados em função dos objetivos propostos.
É fundamental a organização seqüencial, considerando-se a graduação, a continuidade, a unidade e a interdisciplinaridade dos conceitos selecionados. A organização dos procedimentos de trabalho precisa estar adequada aos objetivos propostos, aos conceitos a serem construídos, aos conteúdos a serem explorados e ao nível de desenvolvimento dos alunos e do grupo.
Assim, planejamento e organização são essenciais dentro deste modelo pedagógico, visto que é da competência e responsabilidade do professor encaminhar a ação educativa, garantindo as condições necessárias para o sucesso da atividade. Já nos falava Freinet “não há educação não-diretiva. Toda educação dirige. A direção é que pode ser estimuladora ou castradora.”
Ao planejar, o professor precisa conhecer o que planeja (conhecer o conteúdo e o seu grupo), precisa ter claro como serão arrumadas as carteiras na sala, quais as propostas que serão oferecidas, os materiais disponíveis; prever o tempo para discussão e realização da tarefa. Isto traduz uma ação organizada, que está longe de ser entendida como uma ação estática; mas, sim, como uma possibilidade de constante reflexão para novos planejamentos.
Nessa perspectiva, o ato de planejar é sempre um processo que está intimamente associado ao ato de avaliar.
Esta organização que tanto mencionamos não exclui a possibilidade de improvisação. Entretanto, esta precisa ser consciente, ou seja, o professor precisa ter clareza do “porquê” e “o quê” está improvisando. Os motivos precisam ser depois analisados na avaliação.
“A ação improvisada é produtiva, aprendo com ela, aprofundo meu planejamento. O desafio, portanto, é viver o planejamento sem deixar de correr o risco de possíveis improvisações. A improvisação, desse modo, faz parte do planejamento, mas não é planejamento. Neste sentido, o professor trabalha sua flexibilidade planejando.” (Madalena Freire).
 Dentro de tudo o que falamos, planejar deixa de ser um ato solitário, passando a ser um ato coletivo, que deve levar em conta não só as metas educacionais como a autonomia de cada professor e o trabalho cooperativo entre seus pares. Qualquer planejamento precisa envolver a participação do grupo de professores e da equipe técnica da escola, promovendo-se momentos de encontro, onde será discutida a seleção de recursos, considerando-se aqueles existentes na comunidade e na própria escola.
Um outro fator a ser considerado é o acompanhamento do planejamento – da ação vivida – por parte do professor. Não um acompanhamento contemplativo ou burocrático. Mas um olhar cuidadoso, possibilitando as mudanças necessárias em tempo hábil. Para tal, o professor deve ter clareza dos objetivos a serem alcançados, assim como o aluno saber o que se espera dele.
A última etapa do ato de planejar seria então a avaliação, momento em que repensamos o que ocorreu, como ocorreu, o que falta, o que poderia ser modificado. Origina-se então um novo planejamento.
Para visualizar melhor as etapas do planejamento, organizamos o quadro abaixo:

* Este texto  foi extraído da Proposta Pedagógica do SESC para o Ensino Fundamental (1ª a 4ª série).


Um comentário:

Sossego da Mãe disse...

muito bom esse material. obrigada

att. Kizy ferreira cardoso

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