TEORIA INTERACIONISTA: cognitivismo de Piaget



A teoria de Piaget se destaca de outras pelo seu caráter inovador por introduzir uma 'terceira visão' representada pela linha interacionista que constitui uma tentativa de integrar as posições dicotômicas de duas tendências teóricas que permeiam a Psicologia em geral - o materialismo mecanicista e o idealismo - ambas marcadas pelo antagonismo inconciliável de seus postulados que separam de forma estanque o físico e o psíquico.
O modelo piagetiano, que prima  pelo rigor científico de sua produção, trouxe contribuições práticas importantes, principalmente, ao campo da Educação - muito embora, curiosamente, aliás, a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a idéia de formular uma teoria específica de aprendizagem.

A VISÃO INTERACIONISTA DE PIAGET: A RELAÇÃO DE INTERDEPENDÊNCIA ENTRE O HOMEM E O OBJETO DO CONHECIMENTO


As idéias de Piaget contrapõem-se, às visões de duas  correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: o objetivismo e o subjetivismo.
Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes da Filosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que, por sua vez, são herdadas do dualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo e alma, id est, entre físico e psíquico. Assim sendo, a Psicologia objetivista, privilegia o dado externo, afirmando que todo conhecimento provém da experiência; e a Psicologia subjetivista, em contraste, calcada no substrato psíquico, entende que todo conhecimento é anterior à experiência, reconhecendo, portanto, a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas, 2000:63).
Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo da filogenia humana, Piaget formula o conceito de epigênese, argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito, mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget, 1976 apud Freitas 2000:64).
  
A TEORIA DE PIAGET DA CONTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Consiste em uma teoria de etapas, uma teoria que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e previsíveis, tendo como pressupostos básicos de sua teoria o interacionismo, a idéia de construtivismo seqüencial e os fatores que interferem no desenvolvimento.
Nessa teoria, a criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo momento interage com a realidade, operando ativamente com objetos e pessoas. Essa interação com o ambiente faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-meio e essa interação acontece através de dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida.
A adaptação, definida por Piaget, como o próprio desenvolvimento da inteligência, ocorre através da assimilação e acomodação. Os esquemas de assimilação vão se modificando, configurando os estágios de desenvolvimento.
Considera, ainda, que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição  de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e equilibração (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).
A educação na visão Piagetiana, com base nesses pressupostos, deve possibilitar à criança um desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório- motor até o operatório abstrato.
A escola deve partir dos esquemas de assimilação da criança, propondo atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento.
Para construir esse conhecimento, as concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio, na medida em que o conhecimento não é concebido apenas como sendo descoberto espontaneamente pela criança, nem transmitido de forma mecânica pelo meio exterior ou pelos adultos, mas, como resultado de uma interação, na qual o sujeito é sempre um elemento ativo, que procura ativamente compreender o mundo que o cerca, e que busca resolver as interrogações que esse mundo provoca.
É aquele que aprende basicamente através de suas próprias ações sobre os objetos do mundo, e que constrói suas próprias categorias de pensamento ao mesmo tempo que organiza seu mundo. Não é um sujeito que espera que alguém que possui um conhecimento o transmita a ele por um ato de bondade.
Quando se fala em sujeito ativo, não estamos falando de alguém que faz muitas coisas, nem ao menos de alguém que tem uma atividade observável.  O sujeito ativo é aquele que compara, exclui, ordena, categoriza, classifica, reformula, comprova, formula hipóteses, etc., em uma ação interiorizada (pensamento) ou em ação efetiva (segundo seu grau de desenvolvimento). Alguém que esteja realizando algo materialmente, porém seguindo um modelo dado por outro, para ser copiado, não é habitualmente um sujeito intelectualmente ativo.

  Esquema do processo de construção do conhecimento


Em suma, para Piaget, a construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou, acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Em outras palavras, uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação  o equilíbrio é, então, alcançado.



As idéias de Piaget foram de grande relevância qualitativa na compreensão do desenvolvimento humano, na medida em que é evidenciada uma tentativa de integração  entre o sujeito e o mundo que o circunda.
Convém, porém, considerar que Piaget não propõe um método de ensino, mas, elabora uma teoria do conhecimento e desenvolve muitas investigações cujos resultados são utilizados por psicólogos e pedagogos.
É de fundamental importância como participantes na formação de crianças tomarmos como parâmetros as fases de desenvolvimento cognitivos elaborados por Piaget, pois essas fases norteiam as práticas adequadas a realizarmos em cada momento do processo educativo formal de nossos alunos. Levando-nos a conhecê-los para melhor ensiná-los e também, direcionar os conhecimentos apropriados respeitando o nível em que se encontram. 



7 comentários:

sissi02 disse...

Sou aluna da pedagogia,e amei o seu blog...está muito bem feito...li o artigo sobre Piaget...foi ótimo.Obrigada
Silvia Maria Reis

Mulheres que amam demais... disse...

Sou aluna de Psicologia , e estou começando a conhecer Piaget!Já tenho muita admiração por ele...
Como iniciante, ainda dando meus primeiros passos,tenho "claro"!Uma infinidade de dúvidas...Algumas delas;
Não sei explicar, diretamente a frase:Piaget era um interacionista e construtivista".
A outra;Por que as idéias de Piaget, foram tão inovadoras!E as principais falhas de sua teoria...
Por favor, me responda se puder.
Parabéns pelo Blog.Formidável.
Lais Denise Amaral.

BLOG DA LURDES disse...

Olá..Acabei de me formar em Pedagogia, mas mesmo assim nunca é demais ler sobre autores que foram importantes para essa formação, gosto muito de ler sobre Piaget, gostei bastante do seu Blog.Parabéns..
Lurdes Futra
Prudentópolis - PR

BLOG DA LURDES disse...

Olá!!Acabei de me formar em Pedagogia, gostava muito de estudar Piaget e nunca é demais adquirir novas leituras em relação a esse e a outros autores estudados..Parabéns pelo seu blog..
Lurdes Futra
Prudentópolis - PR

BLOG DA LURDES disse...

Olá!!Acabei de me formar em Pedagogia, gostava muito de estudar Piaget e nunca é demais adquirir novas leituras em relação a esse e a outros autores estudados..Parabéns pelo seu blog..
Lurdes Futra
Prudentópolis - PR

Karoline Amaral disse...

Parabéns, quando li em minha pesquisa do Google: Piaget e pedagogia fiquei receosa de encontrar aqui afirmações que não batem com informações acadêmicas. Mostrar Piaget como interacionista e informar que o mesmo não propõe um método de ensino e sim que suas pesquisas no campo da construção do conhecimento de uma forma geral e focando em uma das etapas mais rápidas dessa construção que é a infância contribuíram como limiar, parâmetro para que fosse então aplicado um método, talvez, mais eficaz, na forma de apresentar o conteúdo acadêmico gradativo a crianças de acordo com sua etapa do desenvolvimento e estimulação, de uma forma simples, resumida, foi bem interessante.

jucy daysha disse...

Olá sou aluna de Biologia e quero parabenizar pelo blog muito boa as postagens,Parabéns!

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